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Startup usa inteligência artificial para combater câncer

Startup usa inteligência artificial para combater câncer


A OncoAI desenvolveu uma ferramenta que ajuda a reduzir a chance de recidiva em pacientes que tiveram a doença O câncer de mama é a principal causa de morte em mulheres no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), ligado ao Ministério da Saúde. Por isso, toda e qualquer solução que ajude a combater a doença é bem-vinda. A ferramenta desenvolvida pela OncoAI é uma delas, e pode ser muito útil na identificação da possibilidade de recidiva. Ou seja, ajuda a prever quando pessoas que tiveram câncer de mama têm chance de enfrentar a volta da doença.
“Nosso produto funciona como apoio para que os profissionais de saúde possam avaliar a probabilidade de um paciente ter câncer novamente”, explica a cientista Mariana Zuliani, 34 anos, CEO que fundou a OncoAI junto com Alexandre Ray, 33, CTO. Por enquanto, a ferramenta trabalha com dois tipos da doença: câncer de mama e câncer de pulmão.
Zuliani afirma que a startup contabiliza na sua base 2 mil pacientes para mama e 900 para pulmão. Cada paciente possui cerca de 1,5 mil a 2 mil páginas de informações oriundas de consultas, exames, relatórios, prontuários e imagens. “A OncoAI é capaz de extrair conhecimento desse emaranhado de dados”, diz.
Para fazer isso, a empresa selecionou uma série de variáveis, em um trabalho exaustivo que envolveu oncologistas e radiologistas, entre outros profissionais, para gerar modelos preditivos. “Quando o médico insere os dados do paciente na plataforma, o modelo trabalha diversas variáveis e consegue predizer a recorrência do câncer”, informa a CEO.
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Encontrar tais variáveis, aliás, foi o principal aprendizado da OncoAI ao longo da sua história. Criada em 2023, em São Paulo (SP), a empresa é fruto da veia empreendedora de Zuliani somada à sua formação acadêmica. “Começou a partir da minha tese de doutorado que abordou a recorrência de câncer de intestino. Quis transformar esse estudo em um produto e direcionei a empresa para os tipos de câncer mais comuns, que são os de mama e de pulmão”, resume.
Enquanto concluía o doutorado, ela também finalizava uma pós-graduação em Data Science, um complemento à graduação em Ciências Físicas e Biomoleculares. “A ideia era trabalhar com Medicina Translacional, que é o ponto de intersecção entre a academia e a aplicação prática”, diz.
É o que a OncoAI faz. A somatória das descobertas científicas, do desenvolvimento da ferramenta e do uso da IA (inteligência artificial) permite que os pacientes sejam acompanhados por profissionais de saúde e alertados, caso haja possibilidades de recidiva. Assim, todos ficam ainda mais atentos. Descobrir essa chance ou a doença em estágio inicial, claro, aumenta a probabilidade de cura. “Pacientes diagnosticados precocemente têm o tratamento antecipado e maior chance de recuperação. Quem não faz os exames nos prazos e não acompanha a rotina médica terá 80% de chance de ter recidiva”, afirma Zuliani.
Outro ponto a favor do acompanhamento mais estreito e baseado na análise de dados é que, ao diagnosticar cedo, o custo do tratamento pode ser sete vezes menor. “Além disso, o paciente pode melhorar a sua qualidade de vida e a sobrevida livre da doença”, destaca a cientista.
Aberta para o mercado
Atualmente, a OncoAI tem como cliente um grande hospital público, que atende 100% pelo SUS. Segundo Mariana Zuliani, os primeiros dois anos foram focados no desenvolvimento e na prova de conceito da plataforma. O que viabilizou a operação foram investimentos sob forma de fomentos, como os vindos do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e do Programa IA² MCTI (executado pela Softex promotora de políticas públicas para o ecossistema da tecnologia e inovação), ambos ligados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A empresa mira hospitais, clínicas especializadas em oncologia e planos de saúde, além dos pacientes e seus acompanhantes. Todos têm a ganhar com o monitoramento da saúde. Para os pacientes, aliás, a plataforma oferece um serviço interessante: o OncoCare, onde eles podem ter acesso a uma linha do tempo do tratamento, recebem dicas nutricionais para uma dieta mais adequada ao quadro clínico e podem se conectar com outros pacientes, se desejarem – o que os ajuda a não se sentirem sozinhos nessa condição.
Em 2025, a healthtech abriu as portas para atrair e conquistar clientes e está aberta a investimentos. De acordo com Mariana Zuliani, a partir do momento em que a OncoAI foi listada entre as 100 Startups to Watch, passou a existir para o mercado. “Diversas venture capital nos procuraram, além de contatos para parcerias no sentido de aprimorar o produto. Vem sendo uma grande oportunidade de visibilidade e crescimento”, diz.
A OncoAI foi listada entre as 100 Startups To Watch em Saúde e Bem-Estar
Divulgação
A empreendedora afirma que receber esse reconhecimento é gratificante: “Não estamos desenvolvendo um produto apenas pelo produto, mas principalmente pelos pacientes. Temos consciência de que cada um que utiliza nossa plataforma tem uma história e respeitamos isso”, afirma Zuliani.
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