E-commerce de micro e pequenas empresas dispara e atinge R$ 67 bi em 2024

Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aponta as vendas saltaram de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 67 bilhões em 2024 A cearense Eleni Costa chegou a Brasília há 34 anos. Para sobreviver, começou vendendo produtos em casa, depois nas quadras da capital, em feiras, até que conseguiu abrir uma loja em um shopping na região administrativa de Taguatinga, a 30 quilômetros do centro da capital. Com a Covid-19, ela viu no e-commerce uma oportunidade de seguir suas vendas e passou a usar a internet de todas as formas para promover seus produtos com lives, promoções em redes sociais e tudo o que esse universo pode oferecer.
— Na pandemia, vendi mais do que na minha loja física. Vendi tudo o que você imaginar: roupas íntimas, perfumes, mas peguei um nicho de sapatos, bolsas e acessórios. Estourei de vender na pandemia — relata a empreendedora, 54 anos, mãe de dois filhos.
A história de Eleni Costa se soma à de milhares de micro e pequenos empresários que correram para o comércio eletrônico quando tudo parecia perdido. Causa de fechamento de negócios em todo o país, a pandemia de Covid19, que surgiu há cinco anos, impulsionou as vendas na internet, dando a largada para faturamentos crescentes.
— Vá para a internet, meta as caras, mostre seu produto, faça network, entre nas redes sociais em grupos — recomenda ela.
Levantamento feito pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com dados da Receita Federal, aponta as vendas das micro e pequenas empresas brasileiras pelo comércio eletrônico cresceram perto de 1.200% nos últimos cinco anos, saltando de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 67 bilhões em 2024.
A expansão do e-commerce no Brasil também se deu entre médias e grandes empresas. No mesmo período, houve uma alta de R$ 49 bilhões para R$ 158 bilhões, um aumento de 220%.
O faturamento nessa modalidade de comércio subiu de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 225 bilhões em 2024.
R$ 1 trilhão desde 2016
Desde 2016, data de início da série, já foram negociados R$ 1 trilhão via comércio eletrônico no país. Em valores, os produtos mais vendidos em 2024 no e-commerce nacional foram aparelhos de telefonia celular, livros, refrigeradores, televisores, complementos alimentares, máquinas digitais para processamento de dados, calçados para esportes, aparelhos para ar-condicionado, pneumáticos de borracha, entre outros.
Rogério Cissos mora no interior do Ceará. Tinha uma loja e vendia na internet. Conta que o período da pandemia foi quando mais vendeu em sua vida. Hoje, tem duas lojas físicas e caminha para a terceira. Vende produtos de informática, como caixas de som, computadores e refletores.
— Aumentou muito a demanda para quem ficava em casa e dependia da internet. Precisavam de acessórios e eu tinha para vender — diz ele.
Aos 44 anos e quatro filhos, Cissos afirma que o segredo é a persistência.
— Tem que ter persistência, não desistir facilmente. Muitas vezes , a gente tenta dez, vinte vezes, até acertar uma — afirma.
Em São Luís, Joice Gama vendia sapatos femininos e decidiu passar para calçados infantis lúdicos. Formou um estoque com a fábrica que fornecia os produtos, mas a empresa quebrou na pandemia.
— Na pandemia, eu estava fazendo consultoria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e criei um catálogo on-line. Colocava as fotos em todas as redes e descobri que as mães continuavam comemorando os aniversários dos filhos. Eu entregava os calçados nas casas das pessoas e sempre levava alguns pares a mais. Vendi todo o estoque que tinha em casa.
Hoje, ela trabalha apenas com calçados femininos. Recebe os produtos de um fornecedor com sede no interior de São Paulo. Investe em calçados personalizados, exclusivos, que ela encomenda diretamente do fabricante.
Aos 39 anos, casada e com dois filhos, ela conta que foi demitida do emprego ao voltar da segunda gravidez. Resolveu continuar trabalhando, para manter a renda familiar e não ficar sem fazer nada. Agora começa a receber encomendas de outros estados e se prepara para exportar seus produtos para países como Colômbia e Argentina.
O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, afirma que o e-commerce foi impulsionado pela pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022, e se manteve em alta, devido à recuperação econômica do país depois disso.
— De um lado, esses números refletem as novas dinâmicas do mercado; de outro, o ritmo crescente de expansão da economia brasileira de 2023 para cá, muito acima daquilo que todos os analistas esperavam —diz Moreira.
Os dados do levantamento mostram a diversificação do comércio eletrônico a partir das características de cada região. No Rio Grande do Sul, por exemplo, um dos destaques é o vinho; em Goiás, acessórios para tratores; em Minas Gerais, calçados; no Pará, purê de açaí; e em Alagoas, frutas.
O levantamento também reflete a histórica concentração dos negócios na região Sudeste, que respondeu em 2024 por 77,2% das vendas via e-commerce. Em seguida, estão as regiões Sul (14,1%), Nordeste (5,5%), Centro-Oeste (2,5%) e Norte (0,6%).
O Sudeste também é a região que mais compra pela internet, com 55,9% do total, seguido por Sul (16,6%), Nordeste (16,1%), Centro-Oeste (8,0%) e Norte (3,4%).
