Credores aprovam recuperação judicial da Eataly, que prevê virar delivery e entregar imóvel no Itaim

Mercado gastronômico italiano apresentou na véspera de assembleia desta terça-feira proposta para operação durante recuperação judicial A maioria dos credores da Eataly Brasil aprovou nesta terça-feira (8/7) o plano de recuperação judicial do mercado gastronômico italiano, que acumula dívidas de R$ 51 milhões. A proposta discutida em assembleia indicava a saída da marca de atual sede, localizada em endereço nobre de São Paulo, e uma operação temporária por 12 meses no formato de “dark kitchen”, voltada para delivery.
A ata com o resultado da assembleia ainda será protocolada ao processo, que tramita na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Para entrar em vigor, precisará ser homologada pela Justiça após análise de legalidade. A reunião dos credores aconteceu virtualmente, durante a manhã.
Na reestruturação, a marca propõe a mudança do endereço nobre na Avenida Juscelino Kubitscheck, no Itaim, em São Paulo, que fez da Eataly um símbolo de alta gastronomia italiana na capital paulista. O imóvel funcionava como um mercadão de produtos importados e de primeira linha, onde também chegaram a operar seis restaurantes de alto padrão.
A saída do imóvel aconteceria após meses de disputa com a proprietária do local, a Caoa Patrimonial, que movia ações de despejo por inadimplência. Com alugueis e IPTU atrasados, a dívida do Eataly com o imóvel já ultrapassa R$ 12 milhões — em fevereiro do ano passado, era de R$ 5 milhões. Os valores foram apresentados pela Caoa durante a Assembleia de Credores.
A nova sede seria “significativamente menor”, de acordo com a proposta da Eataly, o que irá reduzir custos fixos e permitir maior eficiência operacional. O novo endereço ainda está sendo negociado e seria definido em até 30 dias. A mudança depende também de questões operacionais, incluindo a separação dos bens da Eataly e da Caoa.
Durante os primeiros 12 meses após a homologação do plano, a Eataly apontou aos credores que iria funcionar como uma “dark kitchen”, em que o atendimento aos clientes acontece somente por meio de delivery em plataformas como iFood e Rappi, além de canais digitais próprios.
Mudança de donos e crise
Quanto aos pagamentos, o plano previa que os credores trabalhistas receberiam os créditos integralmente, limitados a 150 salários mínimos, em duas parcelas semestrais ao longo de 12 meses após a homologação. A aprovação ocorreu em segunda convocação da assembleia. O ato foi conduzido virtualmente pela administradora judicial do processo.
Diante da pressão financeira e da ameaça iminente de despejo do imóvel, a Eataly ingressou primeiro com um pedido de Tutela de Urgência Cautelar no ano passado. Em dezembro, entrou com a recuperação judicial, solicitando a suspensão imediata de ações e execuções judiciais contra a empresa.
Em janeiro, a crise da empresa se agravou após a franquia brasileira perder o direito de uso da marca Eataly, em decisão que ainda está sob análise.
Inaugurado em 2015 como referência da gastronomia italiana, a Eataly acumulou dívidas elevadas nos últimos anos, agravadas pela pandemia da Covid-19. Apesar de tentativas de reestruturação, incluindo trocas societárias e aportes financeiros de investidores, a operação não conseguiu se manter de pé.
Inicialmente gerida por uma parceria entre investidores italianos e o Grupo St. Marche, a Eataly Brasil foi adquirida em 2022 pela SouthRock, grupo que também operava no país franquias internacionais como Starbucks e Subway. No entanto, uma crise financeira levou a SouthRock à recuperação judicial, obrigando-a a vender a operação da Eataly para o fundo de investimentos Wings, que assumiu o controle no ano passado.
