Empreendedores fazem renda extra com negócio autoral inspirado em técnica japonesa de embrulho em tecido

Fundada com R$ 12 mil, a Nó de Pano une design, sustentabilidade e tradição asiática para criar furoshikis exclusivos e funcionais Transformar tecido em afeto, presente em utilidade e design em tradição: essa é a proposta da Nó de Pano, marca carioca de lenços estampados e sustentáveis, criada por uma designer gráfica entusiasta de ilustração, funcionalidade e consumo consciente.
A inspiração do negócio surgiu quando Giulia Vieira, 33 anos, percebeu o alto descarte de papel em épocas festivas, especialmente quando trabalhava em uma loja de papelaria. “Eu via o quanto se jogava fora de papel, embrulho, e coisas que podiam durar mais. E aí descobri o furoshiki, técnica japonesa de embrulho em tecido, e me encantei”, conta.
Em 2020, ela usou sua rescisão de contrato com a papelaria, em torno de R$ 12 mil, para estruturar o projeto. “Foi um investimento pequeno, mas muito pensado. Eu queria dar um bom começo à marca, para depois ela se autogerir”, explica.
Só dois anos depois ela tirou a Nó de Pano do papel. Desde o início, a proposta era trabalhar com fornecedores locais e pequenas produções, priorizando a sustentabilidade em todos os aspectos, da escolha do tecido à lógica do negócio. Os lenços são produzidos com estampas exclusivas e impressos em uma fábrica no Rio de Janeiro. Depois, passam por uma confecção local. A produção é limitada e sazonal, com coleções feitas de forma pontual.
“A gente produz em pequena escala. Acabou, acabou. A ideia é que cada peça seja quase única”, diz a empreendedora. Os produtos são versáteis e podem ser usados em amarrações como bolsas, embrulhos, capa de livros ou blusa cropped.
As peças são produzidas de tecidos reciclado de garrafa pet
Redes sociais
Atualmente, as vendas acontecem principalmente no canal online, em redes sociais, e em feiras presenciais, onde a marca tem seu maior retorno. “O presencial muda tudo. As pessoas veem, tocam, entendem o propósito da peça. Isso faz diferença”, afirma. Os lenços variam entre R$ 80 e R$ 300, dependendo do tamanho (do P ao G) e da estampa.
Apesar de já ter recebido propostas de parceria, a Nó de Pano ainda é tocada de forma paralela ao emprego fixo da fundadora e com o apoio do marido, Igor de Almeida. “Por enquanto, a Nó é pequena e feita no nosso tempo. Um investimento externo seria maravilhoso, porque possibilitaria crescer com mais estrutura e desenvolver tudo que está no papel”, afirma.
Os planos para o futuro incluem expandir o portfólio, lançar workshops e participar de novas feiras. “A ideia é crescer com coerência. A sustentabilidade, para mim, vai além do material: está no ritmo de produção, nas parcerias locais e em respeitar nossos limites como pequenos empreendedores.”
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