Escuta e feedback: a base da gestão transformadora

Por Arlínea Viagi Arlinea Viagi. Foto: Divulgação
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Em um cenário em que as soft skills ganham protagonismo no ambiente corporativo, a escuta ativa se consolida como uma das competências mais poderosas para a liderança. Para muito além de ouvir, estou me referindo ao ato de compreender o que está por trás das palavras, sejam sentimentos, necessidades, ambições e bloqueios.
Foi a partir desse princípio que estruturei um modelo próprio de acompanhamento e desenvolvimento de talentos com foco no autoconhecimento, performance e evolução contínua.
Minha metodologia tem como base os encontros regulares one-one (1:1), nos quais líderes conduzem conversas individuais com seus liderados para alinhar expectativas, oferecer devolutivas e, principalmente, escutar com atenção genuína. Isso porque a escuta ativa muda a qualidade da conversa; ela cria segurança psicológica e dá abertura para que as pessoas reconheçam seus próprios pontos de desenvolvimento, tornando-se fundamental nos ambientes corporativos.
Um dos recursos aplicados nesses encontros é a técnica do sanduíche, em que o feedback é estruturado em três camadas: começa-se destacando comportamentos e entregas positivas (o “pão de cima”), passa-se então para os pontos de melhoria (a “carne”) e, por fim, encerram-se os alinhamentos com sugestões de caminhos, estratégias ou planos de ação para o desenvolvimento (o “pão de baixo”). A abordagem permite conversas construtivas, equilibrando reconhecimento e direcionamento.
Mas o método vai além da devolutiva pontual. Ele se estrutura com base em objetivos claros, revisados periodicamente, e em um ciclo de acompanhamento que valoriza o registro escrito das conversas (uma prática que contribui para transparência, responsabilidade compartilhada e base documental para decisões futuras). Ao longo do tempo, os profissionais são estimulados a se autoavaliar, desenvolver autonomia e protagonizar suas próprias jornadas de evolução.
Esse modelo é ideal para ser usado junto aos líderes das equipes, que, por sua vez, disseminam a prática com seus times. A cada ciclo, surgem resultados concretos, como melhoria da comunicação, maior engajamento, aumento da autoconfiança e, principalmente, crescimento técnico e comportamental.
Vejo pessoas que estavam estagnadas assumirem novos cargos; algumas inclusive me dizem que passaram a buscar terapia, por perceberem o quanto o desenvolvimento profissional está ligado ao pessoal.
Entre os resultados percebidos, estão a melhora na fluência em inglês (em especial na fala), maior domínio de soft skills como resolução de problemas e trabalho em equipe, e aumento da confiança nas tomadas de decisão.
A base de tudo é simples, mas poderosa: cultivar uma relação de confiança, reconhecer o potencial de cada pessoa e criar um espaço contínuo de troca. Afinal, se a equipe não se desenvolve, eu também não me desenvolvo. Em tempos de avanço acelerado da inteligência artificial e da automação, métodos como esse provam que a escuta, o cuidado e o olhar individualizado seguem sendo ferramentas insubstituíveis para o crescimento sustentável das organizações.
Arlínea Viagi é especialista em logística internacional de produtos e pós graduada em Gestão de Pessoas pela Escola Superior de Administração de Negócios e Gestão de Empresas Familiares pela Universidad Católica de Santiago.
