Investimentos em startups com a participação de corporações caem 73% em 2023, diz Sling Hub

Novo relatório em parceria com Alya Ventures mapeou o comportamento do corporate venture capital no ano passado. Setor de energia ganha destaque As rodadas de investimento em startups com a participação de corporações somaram US$ 400 milhões em 2023, uma queda de cerca de 73% em relação a 2022 e metade do que foi aportado por fundos de corporações (CVC) em 2019, antes da pandemia.
Os números fazem parte do relatório Corporate Investments in the Brazilian Ecosystem 2023, lançado nesta semana pela plataforma de dados Sling Hub e Alya Ventures, gestora especializada em corporate venture capital. Em sua segunda edição, o estudo contou com o apoio de EY e Associação Brasileira de Corporate Venture Capital (ABCVC) para analisar como as corporações investiram em startups no ano passado.
O relatório indicou que o ecossistema ainda passa por uma estabilização no pós-pandemia, com queda nos investimentos em relação a 2022, mas com crescimento em comparação a 2019. Ao todo, as startups brasileiras fizeram 508 rodadas em troca de equity em 2023, 27% a menos do que em 2022 e 1% maior do que em 2019. As corporações participaram de 53 rodadas em 2023 – 44% a menos do que em 2022, mas 18% a mais do que em 2019.
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“Essa mudança sublinha a evolução das dinâmicas de mercado, onde as corporações estão explorando estratégias variadas de inovação aberta além dos veículos estruturados de CVC, como programas de aceleração, projetos de prova de conceito e iniciativas diretas de resolução de problemas dentro de diferentes divisões corporativas. O foco está cada vez mais na aplicação prática, em vez de apenas no investimento financeiro, indicando uma abordagem mais madura para fomentar a inovação”, destaca João Ventura, fundador e CEO da Sling Hub.
Enquanto no ano passado o setor que mais recebeu investimentos de CVC foi o de fintechs (30%), com nenhum outro segmento chegando a 10%, neste ano as startups de finanças representaram apenas 18% dos investimentos e o setor energético despontou para o segundo lugar, recebendo 14% dos aportes com a participação de corporações.
Essa mudança é resultado de uma transformação do outro lado, nos atores que fizeram os investimentos. Em 2022, 39% das corporações que investiram em startups eram bancos e agentes financeiros e apenas 6% eram do setor energético. No ano seguinte, 28% dos investidores eram do setor financeiro e 14% do energético.
“O setor de energia está passando por uma grande transformação, especialmente com a busca de mais fontes renováveis e sustentáveis e isto demanda inovação, não só as desenvolvidas internamente, mas também pelas startups. A participação das empresas incumbentes do setor potencializa seu acesso a mercado, acelerando seu go-to-market, assim, refletindo no aumento do volume de investimentos na modalidade de Corporate Venture” afirma Cassio Spina, Lead Partner da Alya Ventures, gestora especializada em CVC.
O ranking com as três corporações que investiram mais ativamente em startups em 2023 segue dominado por empresas do setor financeiro. BTG Pactual liderou, participando de 10 rodadas, seguido por Bradesco – que ocupou o primeiro lugar em 2022 –, com cinco aportes em startups brasileiras, e um empate no terceiro lugar: Banco do Brasil, Dexco, EDP e Vivo fizeram três investimentos cada um.
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