Startup brasileira é selecionada por multinacional portuguesa para testar tecnologia contra perda de energia

A gaúcha Fox IoT desenvolve prova de conceito com análise de imagens de satélite para trazer mais eficiência para a distribuição de energia no Espírito Santo A Fox IoT, startup que cria soluções para a análise de dados no mercado de energia, é a primeira empresa brasileira selecionada desde 2022 para o programa Energy Starter, da EDP, multinacional portuguesa do setor elétrico. A startup brasileira está no processo de desenvolvimento de uma prova de conceito que será testada por alguns meses pela companhia e, no futuro, a solução pode ser contratada.
Fundada em 2017, a Fox IoT atua em parceria com distribuidoras de energia para desenvolver tecnologias que usam dados para entender o comportamento dos usuários. Entre as clientes já atendidas estão Mux Energia (RS), Celesc (SC) e CPFL (RS e SP).
A deeptech (startup com tecnologia de base científica avançada) nasceu na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. A ideia dos fundadores, Filipe Carloto (CEO) e Lucas Maziero (CTO), era descomplicar o setor, deixando-o mais inteligente com o valor que os dados trazem para quem atua na geração de energia.
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“No começo, não sabíamos bem se estava dando certo, porque tínhamos a cabeça de engenheiros. Estávamos muito apaixonados pelo produto, tivemos de pivotar algumas vezes porque demoramos a engrenar na mentalidade. Depois de dois anos de testes, chegamos ao modelo atual, de captura e análise de dados”, relembra Carloto.
O crescimento da startup tem sido 100% orgânico, como bootstrap. A equipe de 16 pessoas é composta por profissionais de inteligência artificial, engenharia e desenvolvimento de hardware e software, e negócios. A Fox IoT tem sede no parque tecnológico da UFSM e, recentemente, adotou a estratégia de se inscrever em desafios de inovação aberta para se aproximar de potenciais clientes.
A startup participou da edição sobre Redes do Futuro do Energy Starter, que buscava soluções para otimizar a flexibilidade e a capacidade das redes. Selecionada entre as inscritas, a brasileira modelou um projeto piloto para analisar dados de imagens de satélite e identificar ligações elétricas irregulares durante o bootcamp realizado em maio, em Lisboa, Portugal. Além da brasileira, foram selecionadas as startups Camlin e Voltquant (Reino Unido), Earthgrid, Phoenix Boring e Toumetis (Estados Unidos), Repath (Alemanha) e Sensewaves (França).
A prova de conceito será executada entre julho e setembro, com a entrega dos resultados finais até dezembro. O processo será realizado em parceria com equipes locais e globais da EDP, com aplicação em área de cerca de 50 km² entre os municípios de Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo. A expectativa é que o uso da tecnologia possibilite reduzir as perdas em aproximadamente 20%, trazendo mais eficiência e ganho energético.
Escritório da EDP no Espírito Santo
Divulgação
“De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil contabilizou R$ 21 bilhões em perda de energia no ano passado, por problemas que não são mapeados pela distribuidora e encarecem a tarifa para todo mundo. Mostramos para a operação onde estão as regiões que devem priorizar para fiscalizar e instalar equipamentos para medição centralizada”, explica o CEO.
O setor divide as perdas de energia em dois tipos: técnicas, que fazem parte do processo de transmissão de energia; e não técnicas, que acontecem por diversos fatores – desde profissionais coletando dados errados até fraudes ou ligações provisórias. É na frente não técnica que a Fox IoT vai atuar.
Segundo Rafaella Fatureto, gerente de inovação da EDP na América do Sul, a companhia trabalha com cálculos a partir da análise de planilhas. A tecnologia trará mais eficiência ao processo, que deixará de ser manual. O piloto servirá para trabalhar hipóteses.
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“Para desenvolvermos algo assim levaria anos e não traria toda a robustez da tecnologia. Estabelecer uma relação com startups é diferente de um projeto de pesquisa e desenvolvimento. O teste é rápido, existe uma visibilidade interna para provocar as equipes sobre o que mais podemos fazer”, aponta a executiva.
Em sua nona edição, o Energy Starter costumava contar com várias startups brasileiras no início do projeto, quando o foco estava no early stage e as soluções eram desenvolvidas em conjunto. “Agora estamos buscando estágios mais maduros para testar soluções prontas para ver o impacto ao longo do piloto, além da visão de impacto global, o que complicou para as startups nacionais”, acrescenta Fatureto.
Ao longo das edições do programa, mais de 150 provas de conceito foram realizadas, com 40 se tornando soluções adotadas pela companhia. 30 investimentos feitos pela EDP Ventures, iniciativa de corporate venture capital da multinacional, vieram da iniciativa, com aporte de mais de 140 milhões de euros.
A startup brasileira quer aproveitar a oportunidade para a internacionalização da operação, além de expandir no Brasil com a chancela do case com a EDP – segundo Carloto, o setor é conservador e é difícil vender sem um caso de sucesso.
“Queremos mostrar que temos capacidade de levar tecnologia desenvolvida no Brasil para fora. O primeiro passo foi o bootcamp, mas também fomos a única brasileira em uma feira nos Estados Unidos. Queremos buscar novos parceiros porque outros países sofrem com problemas parecidos”, finaliza.
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